48 horas no Porto: o roteiro essencial
Há cidades que se descobrem em dias e cidades que pedem uma vida. O Porto estará, talvez, algures no meio do caminho: dois dias não chegam para o conhecer por inteiro, mas chegam para o sentir – e para perceber porque tantas pessoas o colocam no topo da lista das cidades favoritas da Europa.
Se está a planear uma escapadinha curta à Invicta e quer saber o que visitar no Porto em 2 dias, este é o roteiro essencial: pensado para quem não tem tempo a perder, mas também não quer correr de monumento em monumento. Um equilíbrio entre o imperdível, o saboroso e os lugares onde a cidade se revela de verdade.
Dia 1: A Baixa, o coração do Porto
Manhã
Comece o dia onde a cidade começa: na Avenida dos Aliados. É a artéria central do Porto, ladeada por edifícios majestosos, cafés históricos e a Câmara Municipal ao fundo. Beba a primeira bica num dos cafés clássicos – o Guarany ou o Majestic, se quiser uma experiência mais turística, mas inegavelmente bonita – e siga depois em direção à Estação de São Bento.
Mesmo que não vá apanhar comboio, entre. O átrio interior é revestido por mais de 20 mil azulejos pintados à mão por Jorge Colaço, que ilustram alguns dos momentos mais marcantes da história portuguesa. Vale a pena parar e olhar com tempo.
A próxima paragem é a Sé do Porto, a poucos minutos a pé, sempre a subir. A catedral românica, com as suas linhas robustas e a varanda gótica, é um dos miradouros mais subestimados da cidade. Daqui vê-se o casario alaranjado a descer até ao Douro, os telhados sobrepostos e a Ponte Luiz I ao longe.
Almoço
Para o primeiro almoço no Porto, escolha uma tasca tradicional. Sugestões: a Adega São Nicolau, no coração da Ribeira, ou o Antunes, mais central, conhecido pelo pernil de porco. Peça uma sopa, um prato do dia e um copo de vinho da casa. Se preferir algo mais contemporâneo, o Cantinho do Avillez, do chef José Avillez, é uma escolha segura na Rua de Mouzinho da Silveira.
Tarde
À tarde, mergulhe no Porto cultural. Comece pela Torre dos Clérigos – suba os 240 degraus, porque vale mesmo a pena – e tenha uma das vistas mais completas sobre a cidade.
Mesmo ao lado, a Livraria Lello é paragem obrigatória para quem gosta de livros e arquitetura. Pode ser turística e tem entrada paga, mas o interior, com a sua escadaria curva em madeira, é uma obra de arte por direito próprio. O melhor é comprar o bilhete online com antecedência para evitar filas.
Caminhe depois até ao Mercado do Bolhão, recentemente renovado e devolvido à cidade. É o coração gastronómico do Porto, onde se encontram peixe fresco, queijos, charcutaria, fruta e o aroma das flores a percorrer os corredores. Mesmo que não compre nada, continua a ser uma das experiências mais autênticas da cidade.
Fim de tarde
Reserve o final da tarde para descer até à Ribeira. Suba e desça ruas estreitas, pare nos miradouros e perca-se de propósito. Quando chegar ao Cais da Ribeira, sente-se num banco junto ao Douro e veja a luz baixar por detrás da Ponte Luiz I. É um dos momentos mais bonitos do dia.
Jantar
Para jantar, pode ficar pela Ribeira – mais turística, mas com vista – ou voltar ligeiramente atrás, para a zona da Rua das Flores. Entre as sugestões, o Tapabento, mais contemporâneo, atrás da Estação de São Bento, ou o Cantina 32, já um clássico recente da Rua das Flores, com cozinha portuguesa de autor num ambiente descontraído. Termine a noite com um cocktail no Base Porto, sob as oliveiras, junto aos Clérigos.
Dia 2: Da Foz ao Douro: o Porto em movimento
Manhã
O segundo dia leva-o para fora da Baixa, mas sem perder o ritmo da cidade. Comece com um pequeno-almoço calmo no apartamento – no Almada234 esse é um serviço extra que deve ser solicitado no momento da reserva – e siga depois para a Foz do Douro.
Pode ir de Uber ou apanhar o autocarro 500, que percorre toda a marginal do rio. A viagem vale por si só: passa pelo Palácio de Cristal, pela Alfândega e abre-se, de repente, para o Atlântico.
Caminhe pela Avenida do Brasil, com o mar à direita e os jardins à esquerda. Pare na Pérgola da Foz, no Forte de São João Baptista da Foz e respire o sal. Para um café da manhã com vista, a sugestão é o Praia da Luz, mesmo sobre a areia. É uma manhã que reconcilia qualquer pessoa com o mar.
Almoço
Almoce na Foz. O restaurante Pedro Lemos, com estrela Michelin, é o ex-líbris da zona, mas há opções mais informais e igualmente bem servidas: a Casa de Pasto da Palmeira, com cozinha tradicional reinventada; o Terra, com cozinha vegetariana criativa; ou o clássico Lusitânia, mais acessível e com peixe fresco do dia.
Tarde
Da Foz, é tempo de atravessar para a outra margem. Vila Nova de Gaia, do outro lado do Douro, é onde estão as caves do vinho do Porto. Reserve com antecedência uma visita guiada numa das mais conhecidas – Burmester, Sandeman, Taylor’s, Cálem, Ferreira ou Graham’s -, todas com prova de vinhos no final.
Cada uma tem a sua personalidade: a Taylor’s tem um jardim deslumbrante, a Graham’s uma vista impressionante, a Cálem é a mais próxima do rio.
Se preferir uma alternativa mais contemporânea ao universo do vinho, considere o WOW – World of Wine, um quarteirão dedicado à cultura do vinho, com museus, restaurantes e esplanadas com vista sobre o Porto.
Fim de tarde
Suba ao Jardim do Morro ou ao Mosteiro da Serra do Pilar. Daqui parte um dos pores do sol mais bonitos da Europa: o Porto inteiro do outro lado do rio, com os telhados a brilharem em tons quentes e os barcos rabelo a deslizarem em silêncio. Leve um copo de Vinho do Porto – vai querer que este momento dure.
Jantar
Para o último jantar, regresse ao centro. Entre as sugestões com encanto, a Cervejaria Gazela, onde se come o célebre cachorrinho especial do Porto; o Mito, no Bonjardim, para sabores contemporâneos; ou o Apego, no Bonfim, se quiser sair um pouco do centro e descobrir um Porto mais residencial.
Termine a noite com um vinho no Capela Incomum, instalado numa antiga capela do século XVIII. Pode muito bem ser o ponto final perfeito para 48 horas inesquecíveis.
Dicas práticas para os seus 2 dias no Porto
Quando visitar
A melhor altura para visitar o Porto é entre abril e junho, ou entre setembro e outubro. O tempo é agradável, os dias são longos e as ruas estão menos cheias. Agosto, se puder, é para evitar – faz calor e há filas em todo o lado.
Como se mover
O centro do Porto faz-se bem a pé. Para distâncias maiores – Foz, Serralves ou Casa da Música – use Uber, Bolt ou o metro do Porto, que é eficaz e económico. Vale a pena comprar um cartão Andante recarregável logo no primeiro dia.
Onde ficar
Para aproveitar ao máximo 48 horas, ficar no centro é fundamental. No Almada234, temos apartamentos boutique a poucos passos da Avenida dos Aliados, com tipologias T0, T1 e T2, design contemporâneo e a vantagem de ter sempre a cidade à porta.
O que levar
Leve sapatos confortáveis – o Porto é uma cidade de subidas e descidas -, uma camisola para a noite, porque mesmo no verão a brisa atlântica pode arrefecer depressa, e protetor solar se viajar entre maio e setembro.
E se tiver mais tempo?
Acrescente um terceiro dia e dedique-o à Região Demarcada do Douro. De comboio até ao Peso da Régua, com visita a uma quinta e almoço regional, é uma experiência que completa a viagem como poucas.
O Porto não cabe em 48 horas – mas começa aqui
Dois dias no Porto não chegam para ver tudo, mas chegam para perceber porque tantas pessoas voltam. Da imagem clássica dos Aliados à brisa atlântica na Foz, dos azulejos de São Bento a um copo de Vinho do Porto ao pôr do sol, esta é uma cidade que se revela em camadas e que vai deixá-lo com vontade de mais.
Quando regressar, e regressará, já saberá onde quer ficar.




